Full text: 1.1915,9.Jun.=Nr. 2 (1915000102)

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EDI CAO 
DE ’ 
FON-R 
REVISTA SEMANAL 
PUBLICA-SE ÁS 
QUARTAS-FEIRAS 
ANNO I. NUM. 2. 
Rio de Janeiro, 9 de Junho de 1915. 
REDACÇÃO. ADMINISTRAÇÃO E OFFICINAS : RUA DA ASSEMBLÉA N. 62 - Telephone, 4136 C. - Caixa do Correio. 97 
ASSIGNATURAS: Anno 18$000 - Semestre 10$000 
AVULSO: Capital 400 rs. - Estados 500 rs. 
—==L':.z: o == 
CARTAS FEMININAS 
Rio de Janeiro 
Minha querida Magdala, 
Deseemos ha unía semana de Petropolis, si bem 
que ainda faça muito calor no Rio. Papae acha 
que a gente se deve conformar com o calendario. 
Isso desagradou-me, a principio ; agora não. Nós 
aqui, ainda na incerteza da seasoii.manda-nos 
o Caruso ! Não é tanto por elle, bem sabes como 
sou infensa aos tenores, mas tamban não é pelo 
Titta Ruffo, que é barytono e que o acompanha, 
segundo promettem os jornaes, mas para ter-se 
onde ir á noite— sobretudo para dar extraeção ao 
meu vestido cór-de-horizonte... 
Já se vae cosendo acceitavcimente no Rio, de 
sorte que, num aperto, quando não ha tempo para 
mandar vir de París um chiffon mais importante, 
já se pode encommendal-o aqui mesmo. E’ claro 
que não é a mesma coisa ! Isso, porém, não impe 
de que muita gente use coisas calamitosas por ahi 
alem. 
Não ha o que ler, com a guerra: como o heroís 
mo embota i Entretanto, deram-me a ler, outro dia, 
um livro lindo que me deu immensa inveja de ti: 
Le Iys rouge. E’, pois, tão linda Florença? Tal 
vez seja muito tola essa minha pergunta, e já me 
arrependo de tel-a escripto... Que quéres: nós 
aqui não sabemos avaliar bem essas coisas, c eu 
nunca viajei. Dizem-nos que o Rio é a cidade mais 
bella do mundo. Mas, que é, então, uma cidade? 
Tenho um vago presentimento de que seja coisa 
muito diversa de uma paizagem... De resto, não 
ignoras que cu admiro mediocremente a nossa, que 
acho o Pão de Assucar uma montanha imbecil e 
o Corcovado uma monstruosa excrescencia. Quan 
to ao « Minas Geraes»... 
A proposito: fornece-me urgentemente alguma 
erudição sobre Corot e Ruysdaél, que eu ignoro, 
sem o que, corro o risco de não perceber coisa al 
guma desse genero de pintura em uma opportuni- 
dade ¡inminente que se vae daremeasa de M. me ***. 
Não será máo que me expliques também um pouco 
que coisa é o « Quattrocento ■>, que eu ouvi citar 
uma noite dessas. Comprehendo agora os teus 
ares piedosos quando me acontecia a desgraça de 
confundir os séculos mais em voga, como pintura. 
E’ verdade que já não se tolera os Prerafaditas? 
Si me mandares logo as noções de que careço, pro- 
metto-te seriamente uma copiosa leitura dos Rus 
sos. Ensaiei um pouco o teu Gorki e não me. dei 
mal com elle... Mas não me peças os anarchistas 
sem litteratura, por Deus! Ainda hontem dois se 
nhores da Academia Brasileira trocaram tão furio 
samente idéas sobre elles, aqui em casa, que aca 
baram por já não saber mais quaes eram as próprias
        
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