ü mulher japoneza e o amor 
O Japão sempre nos interessa e uma 
vez ou outra chegam de lá noticias no 
vas, que nos convencem que a civili- 
sação tem progredido naquella região, 
mais do que se pensa. 
Nunca perguntaram a si mesmas, 
caras senhoras,—;se a mulher japoneza 
sente do mesmo modo que as senhoras 
a grandeza e o poder do amor ? Ella é 
commummente decantada pela sua re 
serva e excessiva modestia, pelos gestos 
austeros e pelas roupas largas, que não 
deixam de ser graciosas. As mãos e os 
pés da mulher japoneza são pequeninos, 
a voz harmoniosa, e os dentes alvíssi 
mos e minúsculos. O seu conjuncto é 
de apparencia delicada e meiga, apezar 
de desproporcionada em todas as suas 
partes. A mulher japoneza não é mais 
do que um atomo da molécula invisível 
que se chama a familia. 
O movei principal das acções* dos 
desejos, dos affectos communs da fa 
milia, não é o amor, comprehendido no 
seu sentido mais puro e mais ideal. A 
mulher japoneza conhece bem pouco os 
cuidados e os enthusiasmos, a força, a 
dor e os abatimentos que geram na 
alma humana e especialmente na alma 
feminina, o sentimento do amor. 
Mas resulta que o Japão tem como 
que medo do amor, velando com todo 
o cuidado para que esse Deus bizarro 
não entre nos contractos nupciaes, e 
tem horror aos casamentos de amor. 
As raparigas resignam-se facilmente áo 
triste destino que as liga corpo e alma 
a um homem que, ás vezes, não co 
nhecem, que não amam e pelo qual 
não sentem senão estima e conhança, 
porque foi escolhido por seus paes ! 
E’ extraordinario esse espirito de sub 
missão, fructo de um systema espe 
cial de educação, pelo qual a rapariga 
japoneza habitua-se a ser annullada, a 
dedicar-se inteiramente aos outros e a 
ter illimitada paciencia com todos. 
Ella pisa pois a soleira da sua nova 
casa, da casa do seu espozo, sabendo 
que deverá renunciar a todos os seus 
sonhos docemente acariciados. 
Mas quando está para fazer a gran 
de renuncia, quando está para abando 
nar a sua personalidade feminina, não 
sentirá um movimento de revolta ? 
Parece que não ; parece antes que 
ella enfrenta o seu destino tranquilla- 
mente, serenamente. 
Sabe que o amor não de ve ter parte 
alguma no acto qué acaba de concluir, 
e nem o conhece sequer. 
Depois de uma breve e simples ce 
rimonia, a rapariga japoneza é levada 
ao seio da nova familia cuja vida e eos- 
turnes ella terá que adoptar; da qual 
será a humilde serva, podendo mesmo 
ser despedida; tal é a facilidade com 
que se pratica o divorcio no Japão ! 
De tudo isto se deprehende que a 
mulher japoneza se podé chamar a per 
sonificação da boa Griselda de bocca- 
ciana memoria. 
Todavia se, geralmente, a japoneza é 
como a descrevem, algumas vezes, bam 
bem ella ama. -Taes casos só se dão na 
aristocracia e nas classes mais elevadas. 
Por mais que a mulher japoneza se 
esforce por conquistar o amor do ma 
rido, não consegue nunca sentir as dul 
císsimas e intimas satisfações quc - a 
mulher européa experimenta. 
Se a mulher japoneza também co 
nhece as alegrías e o poder do amor, 
ignora completamente um terceiro ele 
mento que entre nós é fortíssimo : a di 
gnidade ; e é ella que manifesta ao ho 
mem o seu amor, ao contrario do que 
nos acontece, sendo o homem quem se 
de ve ajoelhar aos pés da amada e im 
plorar um olhar benévolo, uma palavra 
de conforto, e que deve tomar toda a 
iniciativa, toda a responsabilidade. 
A rapariga japoneza, leviana por na 
tureza, graceja, ri, diverte-se, mas tena 
dotes preciosos : obediencia, meiguice, 
modestia, contentamento com o proprio 
estado, intelligencia. 
E’ um ente destituido de indivi 
dualidade própria, saliente, decidida ; 
um ente que se deixa levar pela força 
dos costumes tradicionaes, um ente que 
se sacrifica sem difficuldade, docilmente, 
simplesmente, sujeitando-se á renuncia 
das mais intimas satisfações. 
Assim é que a descreve Bellessort. 
ffe 0 -¡Jí -I-', 
p 
O MUNDO 
PITTORESCO 
Urna avenida de Haya a placida capital da Hollanda, a mais adapta de todas 
as capitaes do mundo, para concentração dos emissários da paz universal. 
Pena é qúe tão santos propósitos nem sempre tenham sido aproveitados.
        
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