Dr. JOÃO BAPTISTA de LACERDA 
1 onsiderado por seu saber no mundo scienti- 
fíco europeu, como uma das glorias da 
sciencia brasileira, o Dr. João Baptista de 
Lacerda trouxe com o seu fallecimento oc- 
corrido nesta capital a 6 do corrente, geral conster 
nação a todos os seus patricios que cultivam a scien- 
C1 a. O ¡Ilustre extincto, pela clarividencia de espirito, 
Pelo seu incontestável saber, pelo devotamento ao 
trabalho e pelo seu acendrado patriotismo, foi uma 
dessas vidas toda de inestimáveis serviços prestados 
a sciencia, á patria e á humanidade. 
Nasceu a 12 de Julho de 1846, na cidade de 
Campos, Estado do Rio de Janeiro, e fez todo o 
curso do antigo collegio Pedro II, onde sempre reve 
lou aptidão para o estudo e grande amor á sciencia. 
Em 1864 matriculou-se na Escola de Medicina 
do Rio de Janeiro, sendo-lhe conferido, em 1870, o 
grao de doutor em medicina, de cuja solennidade 
f °i- o orador official, por designação dos seus colle 
gas de turma. 
Durante dous annos foi interno de clinica do 
celebre Prof. Dr. Torres Homem, logar conquistado 
Por um brilhante concurso, 
Exerceu a clinica na sua cidade natal durante 
quatro annos e também no Rio de Janeiro, com 
grande brilho. 
Ao ser reformado o Museu Nacional em 1876, o 
Sr. Thomaz José Coelho de Almeida, então ministro 
da Agricultura, convidou-o para occupar um dos no 
vos logares creados pela reforma, e, acceitando o con- 
V1 te, foi o Dr. Lacerda nomeado sub-director da secção 
de Anthropologia, Zoologia Geral, Anatomia Com 
parada e Paleonthologia Animal. Empossado do cargo, 
rniciou logo uma série de conferencias sobre Anthro- 
pologia e publicou nos Archivos do Museu varios 
director 
DO MUSEU NACIONAL 
originaes de craneologia com relação aos indígenas 
do Brasil, trabalhos esses em grande parte transcri 
ptos e apreciados em varios jornaes e revistas euro- 
péas. 
Em 1880, com a nova orientação dada então ás 
sciencias no Brasil, foi creado o Laboratorio de Phy- 
siologia Experimental, de onde sahiram descobertas 
de alto valor scientifico, que glorificaram 0 nome do 
Dr. Lacerda. 
Nesse anno chegára ao Rio de Janeiro o Dr. Luiz 
Couty, contratado para a cadeira de Biologia Indus 
trial da Escola Polytechnica. Educado nos principios 
da escola experimental e, além disso, dotado de uma 
intelligencia viva e penetrante L. Couty, suppoz en 
contrar no Brasil um vasto campo onde pudesse 
exercer as suas costumadas investigações. Ao con 
trario, porem, tudo lhe foi impeço. Quasi desani 
mado, o Dr. Couty volveu então as suas vistas para 
o Museu Nacional onde, naquella época, o Dr. La 
cerda iniciava alguns estudos de Physiologia Expe 
rimental. 
Allí encontrou o joven biologista francez a valiosa 
collaboração de um já consagrado cultor da sciencia. 
Assentados os planos de investigação, tiveram inicio 
es respectivos estudos ein que as experiencias com 
o curare, celebre veneno das tribus indígenas do 
Amazonas, occuparam lugar de destaque. 
A uma dessas experiencias assistiu S. M. o Impe 
rador. 
Embora luctando contra a carencia de meios, 
Couty e Lacerda, não desanimaram, e, após ingentes 
esforços conseguiram do Ministro da Agricultura a 
acquisiçâo de apparelhos indispensáveis á continua 
ção de suas pesquizas. 
Em principios de 1881, foi inaugurado official- 
mente o Laboratorio de Physiologia Experimental, 
annexo ao Museu Nacional. 
AHi, o Dr. Lacerda, realisou a importante desco 
berta do antidotismo do permanganato de potássio 
para o veneno dos ophidios, descoberta que reper 
cutiu em todo o mundo, provocando discussões nas 
associações scientificas da França, Inglaterra, Italia, 
e nas columnas do Times, de Londres. 
O governo do Brasil, de então, recompensou esta
        
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