Full text: 2.1923=Nr. 8 (1923000208)

PELO MUNDO... 
A maldita moda influe em 
tudo. Devem ter notado que, 
de alguns annos para cá, a 
gente comme il faut prescinde completamente 
do vinho. Andando por ahi em excursões, e 
entrando em hoteis e restaurantes de nomeada, 
observava-se não haver nas mesas senão gar 
rafas de aguas mlneraes. 
Por fortuna, porém, de muita gente, a moda 
tende a passar, e já se torna a beber vinho 
como dantes, e ainda mais do que anterior 
mente ao apparecimento deste inexplicável ca 
pricho. Já não 
ha médicos 
de nome que 
se atrevam 
a aconselhar 
aos seus cli 
entes um re- 
gimem exclu 
sivo de agua 
commum ou 
mineral. Os 
gottosos e os 
arth rit icos 
convenceram- 
se, por expe 
riencia pró 
pria, de que 
suppri m indo 
ás refeições 
o doce e gra 
to sumo das 
uvas, não ga 
nhavam cou 
sa de provei 
to, pois con 
tinuavam a 
ser tão arthri- 
ticos e tão 
gottosos co 
mo se o be 
bessem. 
Aprende 
ram assim 
uma lei, que 
ninguém con 
tradiz, ainda 
que muitos a 
occultem : lei 
simples, que 
poderia con- 
cretisar-se 
nestas ou em 
parecidas pa 
lavras:^ regi- 
mem de agua 
não debilita 
a enfermidade, mas sim o enfermo, collocan- 
do-o em condições inferiores, isto é, em condi 
ções de menor resistencia.» 
Sabios eminentes reconheceram que se não 
póde suprimir, de repente, o vinho a uma raça 
que desde os tempos mais remotos (lembrem-se 
de Noé), formava com o vinho a essencia do 
seu sangue. Reconheceram, também, que a fer 
mentação chimica dos alimentos, necessária a 
toda a digestão, e por conseguinte a toda a 
actividade, se ajuda extraordinariamente com 
o uso do vinho, manancial perenne de bom hu 
mor e de alegria sã. Emfim, e para remate, um 
¡ilustre microbiólogo demonstrou que o vinho 
é o primeiro e o mais natural dos antisépticos, 
estabelecendo que o bacillo 
da febre typhoide, o qual 
medra na agua natural como 
em elemento proprio, desapparece em toda a 
agua mesclada de vinho, por ordinario que 
este seja. Não era necessário que elle o dis 
sesse. Todos estão fartos de ouvir que o typho 
reinante se deve ás aguas que bebemos. 
E ahi está o motivo porque renasce o vinho, 
e porque a sua côr adorna novamente as me 
sas, simulando rubi nas taças, e cravos verme 
lhos nas toalhas. Fique-se portanto sabendo, 
que torna a 
ser moda be 
ber vinho. 
Mas, como 
estar preveni 
do contra as 
mistificações 
e sophistica- 
ções do ven 
dedor? Quem 
nos assegura 
que bebemos 
o sumo da vi 
de e não uma 
beberagem 
composta de 
féculas, cam 
peche e mais 
drogas noci 
vas ? 
Podemos 
a verigual-o 
por uma fôr 
ma muito sim 
ples : a Aca- 
demia das 
Sciencias de 
Paris,em uma 
das suas ses 
sões, indicou 
a maneira de 
verificara pu 
reza do liqui 
do : basta te- 
lephonar atra 
vés delle I 
Ade sc o- 
berta é devi 
da a um phy- 
sico, o Sr. 
Maquenne. 
«Não é pre 
ciso,—diz el 
le,— mais do 
que ter o in- 
commodo de 
fazer passar um fio telephonico pelo vinho que 
se quer ensaiar: se o vinho é natural o tele- 
phone falará; se, pelo contrario, contiver um 
acido, a sua conductibilidade eléctrica, nota 
velmente alterada, obrigará o telephone a ficar 
silencioso.» 
E assim, o portentoso invento de Graham 
Bell accrescenta mais um aos benefícios que já 
prestava á humanidade. 
A menina D. Mathilde. — Póde-me dizer que 
horas tem no seu relogio, Sr. Caldas? 
O Sr. Caldas (merencoreamente).—Não, minha 
senhora; não lh’o posso dizer senão para o 
mez que vem I 
REHABILITAÇAO DO VINHO 
No mundo das estrellas 
SSPP" 
4s formosas artistas da scena muda Lllian e Dorothy Gish, que recentemente 
embarcaram para a Italia, afim de filmar a pelltcula «lhe whiie sister>.
	        
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