Full text: 2.1923=Nr. 10 (1923000210)

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PELO MUNDO... 
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: ATRAVÉS DA EXOTICA CIDADE DE TOKIO 
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/!s linhas que se seguem têm a mais 
aterradora opportunidade com a re 
cente catastrophe do Japão. 
Ao contrario do que se poderia suppor, 
Tokio, a actual capital do Japão, é de ori 
gem quasi recente. 
No século XV não era mais que uma po 
voação de pescadores, Yedo, que quer di 
zer «entrada do estuario». O Shogun Ky- 
deyoski, prevendo a importancia militar do 
sitio, mandou construir ali um castello pelo 
general Iyeyasu. 
Este ultimo, chegando por sua vez a ser 
Shogun, fez de Yedo a sua capital. Cha- 
golpho de Tokio, em Yokohama por falta 
de profundidade. 
Uma minúscula linha de bondes que circula 
ao longo do rio, reune as duas cidades e 
termina na estação de Shimbeski que mais 
parece uma estação de capital de provincia 
que de urna grande cidade. 
O viajante que desembarca em Tokio é 
assaltado, ao sahir da estação, pelas innúmeras 
kurumas ou djirinskishas — puspús — que 
disputam entre si a freguezia. Existem na 
verdade os bondes .eléctricos, porém só os 
toma a gente pobre. Os europeus pouco se 
utilisam delles. 
Tokio apresenta grandes contrastes. No 
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O lago do lotus no Parque de Uyeno. 
tnou-a Tokio, isto é, capital de Leste, para 
differençal-a de Kioto — a capital de Oeste 
— onde residia o Mikado que, nessa época, 
vivia sequestrado, invisível, ao passo que o 
Shogun exercia o verdadeiro poder. Em 1868, 
quando o Mikado assumiu o poder eff.ectivo, 
fez de Tokio a sua única capital que sub 
siste desde então. 
Tokio, que conta actualmente perto de dois 
milhões de habitantes é urna vasta agglo- 
meração numa superficie quasi dupla á de 
Paris, pela qual serpeiam innúmeros canaes 
que vão desembocar no affluente do rio Su 
mida. O palacio do Imperador está justa 
mente no local outrora occupado pelo cas 
tello construido por Iyeyasu. 
Os grandes navios param á entrada do 
bairro de Tsukiyi, por exemplo, onde era 
a antiga concessão europea, só se vêm ho 
téis e palacios que fariam boa figura em 
qualquer cidade moderna. 
Os principaes bancos, os Ministerios, as 
egrejas, a Escola Naval, ali se acham' reu 
nidos. São imponentes e massiças construc- 
ções de cantaria... 
Mais adiante, o turista póde julgar-se numa 
miserável povoação, de estranhas ruasinhas 
lamacentas, tendo' de ambos os lados minús 
culas casitas de bambú e papel que, frequen 
temente se encendeiam, o que não é senão 
pequeno mal, porque cada vez que ha um 
incendio a Municipalidade aproveita-se para 
fazer desapropriações e alargar as rúas. 
Cada vez mais, por outro lado, se cons-
	        
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