Full text: 3.1924=Nr. 7 (1924000307)

PELO MUNDO... 
Dentro do coche, ia o pobre enfermo, embrulhado na sua manta de viagem e agarrado a urna maleta que devia 
conter objectos de toilette, joias e o dinheiro ganho na America... 
ln terior, o mundo maravilhoso que cada qual 
Cn ? dentro de si proprio. 
•Desenhadas na penumbra discreta daquelle 
recanto do café, as nossas silhuetas, refle- 
ctidas nos espelhos elipsoidaes, surgiam me- 
os co rpóreas, mais subtis, mais aereas. Um 
fíente de paz e bemaventurança nos en- 
Manolin Rosal começou a contar-me o caso, 
su gando o seu formidável charuto. 
' Queres saber de uma coisa ? A maior 
P rte das fortunas que andam por ahi a 
^eslumbrar os nossos pobres conterráneos, são 
assim, de um modo arbitrario, illo- 
Síco e milagroso. Quasi todos os grandes 
capitalistas que aqui existem estão em con 
dições de prestar contas ao codigo penal. 
— Não exaggeres, Manolin. Não é tanto 
assim.... 
— Pois vaes saber a origem da fortuna de 
D. Ramón Solares. E ab uno disce omnes, 
como reza o proverbio latino. 
— Estás erudito... 
Urna forte carga dagua, açoutando os es 
merilados crystaes das janellas, respondeu ás 
minhas palavras. Por cima da porta prin 
cipal via-se um pedaço de' céo baixo e es 
curo como um pantano. O crystalino canto 
da chuva era um leit-motiv lamentoso, mo 
notonamente repetido.
	        
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