Full text: 4.1925=Nr. 3 (1925000403)

— 44 - 
PELO MUNDO... 
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EE/iriro 
COBRAD 
Ha tempos andava eu por urna grande ci 
dade do oéste quando tive a attenção des 
pertada por umia vitrina de Pharmacia, onde 
se viam 1 , entre outras ooisas, uns instrumen 
tos hypodermicos e certas drogas pharmaceu- 
ticas oom 1 um letreiro berrante: «Estamos na 
época das cobras' Cui 
dado! E’ preciso pre- 
venirmo-nos antes de 
par!ir para o campo.; » 
«Até isto serve para 
reclame» — pensei eu 
sprrmdo. Tomei a 
Olhar para a vitrina e 
ia proseguir no meu ca 
minho quando a voz 
de um jornaleiro gri 
tou a meu lado: — 
«Um policía morí o por 
urna cobra; Sensacio 
nal ! » Comprei ’o jornal 
e puz-me a 1er a his 
toria do policía que 
partira para as monta 
nhas em gozo de fénas 
e fóra mordido por 
uma cascavel vindo a 
morrer no hospital ho 
ras deppis. A falta de 
recursos no primeiro 
momento explicava a 
tragedia. Ao lado ou 
tra noticia sobre um 
jardim fechado pela 
Saude Publica por ¿an 
sa das cobras que o 
escolhiam como esta 
ção de veraneio. A po 
pulação era tambem 
avisada de que tivesse 
cuidado com as casca- 
veis que nes&a época 
andavam na muda, dei 
xando", por i so, de pro 
duzir o característico 
ruido do chocalho que 
ge raímente nos ad ver 
te da sua presença. 
Apesar dos desvelos 
das cantaras de oorn- 
mercio do oéste em pretender impedir qual 
quer genero de publicidade sobre o assum 
pto, porque isso representa uma ameaça para 
o desenvolvimento da região, o perlgo das 
cobras cresce assustadoraménte e não é com 
evasivas, nem' oom a negação da verdade 
que o extinguirão. 
H.i annos uns sugeitos, que evidentemen 
te tinham 1 cordas felfas de crinas de cavallo 
para vender, espalharam a historia de que 
as cascavéis não passavam por cima delias. 
Os que andassem pelo campo, e quizessem 
proteger a sua integridade physica, deviam 
comprar uma dessas cordas e circumdar o 
acampamento com ella, 
podendo então dormir 
socegados porqué as 
cobras não a transpor 
iam. Essa lenda to 
mou vulto, propagan 
do-se rapidamente. Já 
hoje se. vendem, por 
anno, milhares de cor 
das de crina de ca val 
ió, e como eu, que an 
do pelo mátto e pelo 
diserto, tenho passado 
o; meus máos boceados 
com as cascavéis, apres 
se i-me em comprar du 
as delias. 
Levei mais de um 
an.io a dormir pelas 
montanhas, servindo-me 
das taçs cordas e sentia, 
do-me perfeitamente se 
guro dentro do «circulo 
magico». Durante es 
se período dei por bem 
empregado o meu 
dinheiro, con venado de 
que tinha feito uma 
grande compra, até que 
uma noite, estando eu 
a dormir no deserto, 
perdi, por completo, 
todas as illusões a res 
peito, Indo por agua 
abaixo a theona da in 
vulnerabilidade das cor 
das de crina. Eu e 
mais um amigo chama 
do Wells tinhamOs pe 
netrado no Valle da 
MOrte, depois de an 
dar io dias de mOto- 
cycletta, sem ver viva 
alma. Tendo chegado a 
noite resolvemos acampar ali. Ceámos e con 
versámos a respeito dos nossos projectos paia 
o dia seguinte, estendendo em seguida cs 
cobertores onde iríamos doimlr, depois d: 
circumdados, como de costume, pelas cordas 
protectoras. Deitamo-nos descobertos por cau 
sa do calor. Fazia um luar lindíssimo e 
Wells, que fumava cachimbo, antes de ador- 
K' 
R 
tf*. 
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o-** 
Este sujeito, que dorme tão confortavelmente instal- 
lado ao ar livre, pode acordar de uma hora para a 
outra com uma cobra no travesseiro.
	        
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