Full text: 7.1928=Nr. 4 (1928000704)

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PELO MUNDO... 
Maio de 1928 
— O meu nome talvez lhe seja familiar, 
disse elle com um sorriso um pouco triste. 
E’ Jerry O’Cree, o salteador. 
Ella era valente e lembrou-se d e que elle 
nunca atacava mulheres. 
— Ainda ha tres dias eu era isso, accres- 
centou. Deixe-me continuar. Faltam apenas 
dois dias para a noite de Natal. Eu tinha 
o costume, e m todas as noites de Natal, de 
penetrar em uma casa na. aldeia de Keinsin- 
gton afim de deixar um pequeno presente para 
uma creança. Esta menina era a única com 
panheira que tive no mundo, a Unica pessôa 
internamente innocente que conheci, exce 
ptuando a senhora. 
Ella córou lindamente. 
— Este anno eu não posso levar pessOal- 
mente o meu presente; t e nho outros com 
promissos, porém a minha casa está apenas 
tres portas adeante da casa em que mora 
a creança. Aqui estão as minhas chaves, se 
nhora, disse elle, tirando do bolso um mólho 
de chaves. Esta maior é a da minha casa, 
e esta outra é a da porta ‘Ida casa rdella. 
— Mas pareceu-me ouvil-o dizer que en 
trava clandestinamente, disse a moça. 
— Eu não tenho o ^direito de ter esta 
chave e m meu poder, explicou elle, sorrindo. 
Posso continuar? Ha 
uma pequena secretaria 
que não está fechada, 
junto á j amella da 
minha casa, e ha na 
mesma uma gaveta de 
segredo. Peço-lhe que 
puxe as duas ga 
vetas das extremidades 
e empurre a do m E io, 
o que solta uma mola 
e a quarta gaveta 
abre-se; nella encon 
trará duas bolsas com 
libras, peço-lhe como 
um grande favor que 
acoeite uma delias e 
entregue a outra á 
creança. Peço-lhe muito 
encarecidamente. 
Ella esteve algum 
tempo olhando para o 
fogo da lareira e de 
pois, voltando-se para 
o homem, disse: 
— E’ um pedido 
muito extraordinario, 
senhor. 
— Senhora, replicou 
elle, p mundo é tam 
bém um logar muito 
extraordinario, muito 
mais do que a se 
nhora pôde suppôr. Em 
cada pessôa, ha sem 
pre algum lado bom, 
até mesmo em. mim 
que matei doze hom E ns. 
Eu não era de todo 
máo, mas fiz-me sal 
teador por causa de 
uma mulher, e, comtu- 
do, nunca ofíenidi in 
tencionalmente a uma 
mulher. Devo dar uma 
das bolsas á creança e 
não tenho ma,is a quem 
dar a outra. Meu se 
nhorio está pago e, 
embora lhe pareça ex 
traordinario, não tenho 
dividas, excepto es'a 
divida de honra e a 
divida que vou contrahir para com a se 
nhora, e que espero me permittirá pagar. 
Ella estendeu-lhe a mão, dizendo: 
— Farei ò que deseja. 
E quando os labios delle tocaram-lhe a 
mão, ella estremeceu porque os mesmos es 
tavam frios como o gelo. 
Elle dirigiu-se para a porta, suspirou tris 
temente e sahiu da sala; ella notou que os 
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Lya Mara, como apparece no film “A dançarina viennense”
	        
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