Full text: 1.1915,4.Aug.=Nr. 10 (1915000110)

Rio do Janeiro, 4 de Julho de 1915 
NUM. 10 
REVISTA semanal 
Publica-ge ás Quartas-feira* 
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P°dendo principiar em qualquer mez. mas 
terminando sempre em fim de Junho ou 
Dezembro. 
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QTTTWTVT A T? TO SUPPLEMENTO: Agosto — Horoscopo de Agosto 
D U IVIJÍIAIVlv —Notas Selectas—O Presente de bodas. 
TEXTO: Cartas femininas - Maria da Graça — A ci 
dade ruidosa —Transatlánticas — Sociedade Brasileira Cc Homens de 
Lettras — O jardim de Tropmann — Idéas soltas — Uma princeza bra- 
zileira desconhecida — Paginas da Guerra — As impressões de New- 
York por um artista inglez — O mundo pittoresco — A cauçõo — Aspe 
ctos Nacionaes — Varsóvia — Correio para os Estados — A Moda — 
Musica — A caricatura estrangeira — Cousas de hygiene—Os menus 
de Madame — Conselhos práticos — Amendoeiras em flor. 
CARTAS FEMININAS 
Porto-Alegre 
Renata, minha querida, 
acabo de lêr a tua carta. Apezar do bom humor 
Que ella quer fingir, bem notei que estavas abor- 
f ecida quando a escreveste. Nem parece uma carta 
de mulher. Desconjio de que andas a soffrer a 
influencia d’algum desses rapazes do Rio, para 
Quem o tempo é uma continuação de blagues e de 
hypocrisias. 
Não te zangues commigo. Eu sou a mais sim 
ples das creaturas e me tenho por muito sincera. 
Não te lembras da Anua Luiza, nossa collega 
no internato ? A Anna Luiza simulava não enten 
der nunca o mal que lhe faziam, sorria para toda 
u gente, a toda gente tratava com carinho. Nós, 
na intimidade, troçavamos da Anna Luiza. 
Tu mesma, certa vez, solennemente, declaraste: 
« A Anna Luiza é imbecil! » 
Imbecil! Fômos encontrar na estante delia um 
diario, minucioso e intelligente, da vida do colle- 
gio,e onde as suas amigas eram julgadas sem per 
fidia nenhuma, mas com tanta verdade que vinha 
a ser cruel. A Anna Luiza nos desprezava, Rena 
ta, e permittia que nós nos imaginássemos supe 
riores a ella !... 
Eu nunca poderia imitar o exemplo da Anna 
Luiza. Sou incapaz de esconder o que penso e o 
que sinto. A tua carta me desagradou pelo tom 
masculino, pela falta de delicadeza de certas 
phrazes. Deste, acaso, para suffragista ?!... 
Ah ! Renata, de instante a instante me conven 
ço da doce ventura que é a provinda... a provinda 
tal qual eu a compreendo, que a outra, a que imi 
ta a Capital, c lamentável. Passo os meus dias 
mettida commigo, não vizito quazi ninguém, qua- 
zi ninguém vem vizitar-me... E’ a paz, Renata. A 
minha companhia é algum poeta (impresso, já se 
vê), alguma novella, algum trecho de musica... 
Sou talvez romântica... Quem sabe? E’ uma 
qualidade como qualquer outra...
	        
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