Full text: 2.1923=Nr. 2 (1923000202)

PELO MUNDO... 
Recebi um choque... Minha mulher sabe do 
facto? 
— Aínda não, senhor. 
— Não lhe diga nada. Ficaria muito com 
ino vida. 
— E depois a senhora já está incommo- 
dada. Não sei se faço bem em dizer ao se 
nhor. O senhor Luciano... 
— Hein? 
— Não veio dormi r em casa esta noite... 
Mas que é que o senhor tem? 
— Não sei... Estomago... 
— O senhor faria bem em recolher-se ao» 
quarto. 
— Sim, rvou. 
— Eu o ajudo a subir. 
— Não, não. Não é ¡preciso. 
— Como não? O senhor não se póde ter 
de pé... Olhe... Olhe... Sente-se na poltro 
na... Está melhor? 
— Estou, estou... 
— Aposto que o aborrecimento que o se- 
nho r tem ;prende-se ao facto de ter o senhor 
Luciano dormido fora de casa. 
— Não é, não! E’ um absurdo... Sinto-me 
mal desde hontem. 
— Vou avisar a senhora. 
— Não, não, deixe-a! 
— Eil-a que chega, justamente, agora... 
E’ o patrão que não está passando bem, mi 
nha senhora! 
— Mas eu não tenho nada! Que é que ella 
está a dizer?... Retire-se... Vá para a co 
zinha. 
— Minha senhora, eu disse ao patrão que 
o senhor Luciano.., 
— Quem foi que a mandou dizer? Vá-se 
embora. . . E metta-se con - , o que lhe disser 
respeito... Vá-se embora!... E’ insupporta- 
vel. Enião ella te disse que Luciano...? 
— Disse... E isso aborreceu-me um pou 
co. Eu já estava passando mal. 
Quanto a mim, não é porque elle te 
nha pernoitado fóra que estou aborrecida. . . 
Um rapaz de sua edade... Mas confesso-te 
que tem maneiras mysteriosas que me inquie 
tam... Se eu disser que ha dous minutos en 
trou com toda a precaução... Eu estava na 
sala de espera, arrumando umas cousas no re 
canto da. escada. . Vi-o approximar-se da pa 
noplia e despendurar algo de um prego... Mas 
que é que tens ainda, Eduardo? 
— Não é nada, não é nada. . . E’ o meu 
incommodo de ha pouco... Voltou outra vez... 
Deixa-me só, prefiro que me deixes só... 
— Oh! affliges-me^ Eduardo!... Mas que 
é que quer ainda, Clemencia? 
— Estão perguntando pelo patrão. 
Diga que o patrão não está passando 
bem. 
— E’ o senho r Mégnin, o juiz... 
Diga-lhe que o senhor está doente... 
Vou ver o que elle quer comtigo. 
— Não, não. Faça-o subir até cá... Ouviu, 
Clemencia?... E tu, deixa-nos! 
— Como tu me falas! 
— Perdôa-me. .. Peço-te, deixa-nos. Elle 
talvez tenha alguma informação confidencial 
a pedir-me... Poderia ficar constrangido. 
— Oh! Não sei o que tens, Eduardo... 
Mettes-me medo... Entre, senho r Mégnin Dei 
xo-o com meu marido... Até já... 
•— Senhor Mégnin, preferi — não é me 
lhor? — que ella não estivesse aqui... 
— Já viu seu fiho > senhor Moutier? 
— ... Ainda não. 
— Mas está ao par do assassínio do cas- 
tello? 
—. . . Sim. 
— Toda a cidade já o sabe. E' extraor 
dinario como tudo sé divulga... Então, seu 
filho não lhe disse? 
— ... Nada. 
— Prestou-me um grande serviço no caso. 
Havíamos jantado juntos, e estavamos no 
theatro, quando foram procurar-me... Mas 
que é que tem? NãO' está se sentindo bem?... 
— Peço-lhe perdão... Não sei se ouvi 
bem... Estou aturdido... As palavras pare 
cem dansar no meu cerebro... Disse-me que 
passou toda a noite de hontem com meu filho? 
— Sim, senhor. Quando foram procurar 
me, acompanhou-me ao castello. Vendo o feri 
mento exclamou: 
A^i está um ferimento feito com um 
punhal mazaio. Meu pae tem uma arma dessas 
na panoplia. . . 
•‘Então, veio buscar esta arma aqui, com 
muitas precauções. Não queria que o senhor 
despertasse. E, acima de tudo, receiava emo 
cional-o narrando-lhe bruscamente essa sinis 
tra historia. Deu-me os signaes do marinheiro 
que lhe vendeu este exquisito punhal, e que 
devia ter comsigo outros semelhantes. Esse 
homem foi preso, agora, a tres leguas daqui, 
hez uma confissão completa; mas eu tinha ne 
cessidade de seu depoimento.. Olhe! Ahi está 
seu filho... Moutier seu pae já é sabedor de 
tudo... Mas está um pouco doente, seu pae! 
. Nao, ^ não é nada... E’ cansaço... Pe 
ço-lhe perdão por estar chorando assim. E’ de 
cansaço. 
— Mas que é . que tens, pap'á? 
— Nada, nada. . . Abraça-me, meu filho. 
Miss Esther Mac Donald 
Miss Mac Donald, da Northwestern 
University, Illinois, além de ser 
uma das maiores capacidades que 
já passaram pela referida Universi 
dade, é uma joven de rara formosura, 
premio de belleza. 
UM ROUBO MALLOGRADO 
Cofre forte de facto. Pertence a um ban 
Master Ben, primei 
ro premio de perdi 
gueiros na Exposi 
ção Canina de Was 
hington. 
co de Nova York, e 
resistiu a cinco car 
gas de nitroglyceri- 
na, um maçarico e 
uma bateria de to 
chas de acetylene.
	        
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