Full text: 2.1923=Nr. 4 (1923000204)

- to - 
PELO MUNDO... 
I33SS3S- 
Desde os tempos mais remotos existe o 
costume de manifestar por signaes exteriores 
a dór que nos causa a morte de algum de 
nossos parentes. A respeito da morte de Sarah, 
observa a Escriptura ter Abrahão cumprido os 
usos do lucto; e noutra parte diz que Judá, 
tendo perdido sua mulher, deixou passar o 
tempo do lucto antes de tornar a apparecer 
em publico. 
Os judeus tinham o costume, em seus lucios, 
de rapar as barbas e rasgar seus vestidos. 
Os egypcios 
-X 
deixavam cres 
cer o cabello, e 
cortavam a bar 
ba; porque, fóra 
de lucto, usa 
vam o cabello 
curto e a barba 
comprid a. Os 
assyrios e per 
sas cortavam as 
barbas como os 
egypcios. 
Estes últimos, 
nos momentos 
de dor, vestiam- 
se de amarello, 
e os ethiopes 
de cinzento. No 
Perú, quando 
os hespanhóes 
allí entraram, 
era tambem o 
cinzento a cor 
fúnebre. 
Entre os gre 
gos e romanos 
foram pretos os 
vestidos de lu 
cto até o tempo 
dos imperado 
res, quando as 
mulheres roma 
nas começaram 
a usar, em taes 
occasiões, ves 
tidos brancos. 
Na China e no 
Sião o lucto é 
m a n i festado 
pela cor branca. 
Na Turquia 
pelo azul ou 
roxo. 
Na Europa, 
até os fins do século XV, foi o branco a cor 
do lucto : e dahi veiu que em França, e ainda 
na Hespanha, ás rainhas mães, ou viuvas, era 
costume chamar rainhas brancas. 
Em Casíella, pela morte de principes, ou de 
parentes próximos, vestiam-se luctos de sarjas 
brancas; e este uso teve logar pela ultima vez 
em 1498, pela morte do principe D. João, filho 
único de Fernando e izabel. 
Em Portugal os vestidos de dó eram de 
burel branco, ou panno de sacco: os caval- 
leiros, por signal de lucto, traziam sobre suas 
armaduras um capêllo de burel branco, com 
que nos sahimentos e enterros cobriam as 
N/l ISS PHYLLIS DARE 
A formosa actriz ingleza no papel de Mariana, em ‘ The lady of the 
rose”, no Daly’s Theatre, de Londres. 
cabeças. Nas exequias de D. Affonso V ainda 
se viu este uso. 
Nem se pense que esta differença de côres 
fosse effeito do capricho. Todos os povos 
julgavam ter razão sufficiente para a escolha 
da côr fúnebre. Os egypcios viam no amarello 
a côr da folha que secca e cáe da arvore no 
outomno, imagem do termo da existencia hu 
mana. O cinzento recordava aos ethiopes e 
peruvianos a terra de que todos saem, e a 
que todos voltam. Para os turcos o azul é a 
imagem da mansão celeste, que vae habitar a 
alma do homem justo. O branco era tido como 
o symbolo da pureza e da immortalidade da 
alma. Aos gre- 
* ~ gos e romanos, 
para quem o 
' morrer era des- 
: cer á noite eter- 
i na, o préto re- 
c o r d a va esta 
j idéa lúgubre, e 
• i para os iberos 
■j s i g n i ficava a 
privação de to 
da a luz. 
A duração do 
lucto tem sido 
tão diversa co 
mo a côr que o 
representa.Saul 
e Judlth o trou 
xeram por sete 
dias; Moysés e 
Aarão por trin 
ta ; e era esta a 
sua maior du 
ração entre os 
judeus. Lycurgo 
fixou o tempo 
do lucto em on 
ze dias, e isto, 
diz Plutarco, 
porque elle não 
soffria nada inú 
til ou ocioso. En 
tre os romanos 
se prolongava 
até dez mezes. 
Na China é de 
tres annos pela 
morte dos paes. 
Na península de 
Coréa, na Asia, 
é tambem de 
tres annos o lu 
cto pelos paes, 
e durante este 
tempo nem pó- 
casados unirem-se com suas 
tidos por bas- 
dem os filhos 
mulheres, sob pena de serem 
tardos os filhos que dahi lhes nascerem. 
Nos povos modernos a duração do lucto 
era de seis mezes a um anno. Na França foi 
mais longo, e ainda não ha muito, posto que 
já abreviado, o de mulher durava treze mezes, 
mas o de marido apenas seis. 
Os reis alli traziam luto roxo. 
Os casados moços vivem com alegria ; as 
velhas casadas com moços vivem em perpetua 
discordia; os velhos casados com moças 
apressam a morte.
	        
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