Full text: 1.1922=Nr. 10 (1922000110)

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PELO MUNDO... 
0 inventor dos panoramas 
O inventor dos panoramas, segundo está 
averiguado, foi um pintor irlandez chamado 
Roberto Barker, o qual viveu em Edimburgo 
(Escocia), nos fins do seculo decimo-oitavo. 
Em 1785 foi preso, e a celia em que o en 
cerraram sósinho era alumiada pela pouca luz 
que entrava por um orificio de ventilação, que 
havia a um dos cantos,.o qual deixava a parte- 
baixa do aposento sumida em tal escuridão, 
que não era possivel ao pintor, nem sequer 
mesmo lêr, as 
cartas que re 
cebia. 
Depois de 
fazer varias 
tentativas paia 
conseguir 
lêl-as, obser 
vou que quan 
do as colloca- 
va junto á par 
te da parede 
alumiada pela 
luz do orificio, 
as palavras se 
viam distincta- 
mente. Obser 
vou, então, 
curiosos phe- 
nomenos de 
óptica,e occor- 
reu-lhe que, 
coliocando um 
quadro n’uma 
posição seme 
lhante, o effei- 
to obtido ha 
via de ser ma 
ravilhoso. 
Quando se 
viu em liber 
dade, fez uma 
serie de expe 
riencias, que 
lhe permiti 
rá m aperfei 
çoar a inven 
ção, e em ju 
nho de 1787 
obteve em 
Londres urna 
patente, em 
que era decla 
rado inventor 
do panorama. 
Os artistas 
d’esta cidade falaram favoravelmente da expo 
sição de Barker, e o publico acudiu em gran 
de chusma a vêr os quadros que elle apresen 
tava. Foi tal a perfeição que alcançou na arte 
que, segundo se diz, um panorama que expóz 
representando o naufragio de um navio, estava 
feito com tal propriedade, que um cão da 
Terra Nova se precipitou em certa occasião so 
bre o quadro, para salvar as pessoas que cahiam 
á agua, convencido de que a scena era real. 
Todo saber provém de observação e expe 
riencia. — Sainte-Beuve. 
ZT : A DANSA EXPRESSIVA = 
Não queremos dizer, com o titulo que enci 
ma estas linhas, que falte expressão aos bai 
lados que agora estão em voga, mas apenas 
que em nenhum delles alcança a expressão o 
grão de perfeição que consegue a nova dansa. 
Assim affirma um bailarino russo, o sr. 
Sakharof, que tcm competencia para falar no 
assumpto. 
Não é muito fácil de aprender a referida 
dansa. 
Conforme sua própria confissão, não pre 
cisou o casal 
Sakharof (por 
que tambem é 
bailarina a sra. 
Sakharof) me 
nos de 10 ho 
ras de traba 
lho diario, du 
rante 10 annos, 
para dominar 
as difficulda- 
des do novo 
bailado. 
Estão as 
d a n s a s até 
agora conhe 
cidas, encerra 
das em limites 
convenció- 
naes,e acha-se 
a auto-expres- 
são subordina 
da á technica 
convencional 
tambem. Ao 
contrario, na 
dansa do casal 
Sakharof a 
a u t o-expres 
são é tudo. 
Para que 
ad q u irissem 
seus membros 
a capacidade 
de expressão 
necessaria 
para a s u a 
dansa, tiveram 
Sakharofe sua 
esposa que 
trabalhar até 
com os acro 
batas de um 
circo. 
Porém, dão 
por bem em 
pregados os seus largos annos de esforço e 
estudo. Porque, emquanto os dansarinos de 
um bailado actual, russo que seja, mal pódem 
balbuciar as suas idéas, começa o casal Sak 
harof a falar coherente e quasi correntemente 
a linguagem dos membros. 
E não se diga que é pouca cousa. 
— - ^-ss ——— 
Os nossos juizos são como os nossos relo- 
gios; estes só raro andam certos uns pelos 
outros; todavia, qualquer traz o seu relogio e 
por elle se regula. — Pope. 
: 
iaSíT-:' 
Betty Ross Clark
	        
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