Full text: 1.1922=Nr. 10 (1922000110)

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PELO MUNDO... 
i* 
*- 
Os sabios que, como Humboldt, Agassiz, 
Wallace e outros, prophetizaram que o valle 
do Amazonas hade ser «um centro de civili- 
sação e o celleiro do mundo», não puderam 
vêr a realização de sua prophecia. Entreianto, 
ella será um dia uma realidade. Dessa terra 
prodigiosa que é o Pará, com um territorio 
colossal, de 1.149.712 kilometros quadrados, 
com todas as condições de vida, com todas as 
riquezas, mas com uma população pequenís 
sima, de 984.000 habitantes apenas, ha de 
surgir em futuro não muito remoto, quardo o 
povoamento do seu sólo fôr uma realidade, 
uma das mais formidáveis parcellas da Fe 
deração. 
Foi o grande Ruy Barbosa quem disse: 
« Ainda quando a nossa patria não contasse 
mais de uma região como a 
do Pará, este só nos basta 
ria para nos desvanecermos 
da nossa riqueza e apresen- 
tal-a com orgulho aos que 
nol-a desconhecem». 
O Pará, como, em via de 
regra todos os Estados do 
Brasil, apresenta uma 
infinidade de produc- 
ções. Seu principal pro 
ducto, todavia, é a bor 
racha, seguindo-se-Ihe 
a castanha — dita cas 
tanha do Pará—,o cacáo 
e madeiras. 
Quanto ás vias de 
communicação terrestre, 
o Pará possue apenas 
cerca de 800 kilometros 
de estradas de ferro, 
dos quaes mais de 90 pertencem á estrada 
de Alcobaça á Praia da Rainha, ora em cons- 
trucção. Os restantes pertencem á linha que 
liga Belém a Bragança, com dous ramaes: um 
para Pinheiro e 
outro para a co 
lonia Benjamín 
Constant. e á 
linha Cametá — 
S.João. 
A principal 
via de commu 
nicação, porém, 
é o rio Amazo 
nas, o rio-mar. 
Abacia do 
Amazonas com- 
prehende, con 
forme affirmou 
Bludau, uma 
aréade2.722.000 
milhas quadra 
das, emquanto 
a do Mississipi, 
o pae das aguas 
dos norte-ame 
ricanos, é a ter- 
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Armas do Esta 
do do Purá. 
embate 
que se 
PJ 
III 
Palacio do Governo, em Belém 
Largo da Polvora, em Belém 
ça parte do nosso grande rio, chegando apenas 
a comprehender 984.000 milhas quadradas. 
A fóz do Amazonas mede 254 kilometros, 
sendo por ella despejados no oceano Atlântico 
500.000 pés cúbicos de agua por minuto. Até 
uma distancia de 290 ki 
lometros para o oceano, 
as aguas do Amazonas 
formam no Atlântico uma 
esteira revolta, conser 
vando-se ainda doces. 
Por outro lado, a maré 
do oceano penetra no 
rio até cerca de 6C0 kilo 
metros. As duas forças 
colossaes encontram-se : 
a correnteza formidável 
do rio e a maré do Atlântico. Desse 
surge um phenomeno interessante, a 
dá o nome de pororoca. 
O Amazonas tem todos os característicos de 
um verdadeiro mar. A agua doce é o único 
factor que lhe trahe a 
majestade. O descobri 
dor hespanhol Vicente 
Yanez Pinzón denomi 
no u-o Mar Dulce. 
O Estado do Pará 
apresenta productos 
que alcançam grande 
procura não só nos mer 
cados locaes, como nos 
dos outros Estados. O 
interessante é que mui 
tos desses productos 
são typicos do Pará, 
como a castanha, o ba- 
cury, o bacupary, o 
cupuassú e outros, fru- 
ctos que se aproveitam ao na 
tural, em doces e em bebidas. 
Os paráenses orgulham-se 
de sua bebida nacional : o 
assahy. E corre o Brasil, accommodada origi 
nalmente na musica da rima, urna quasi 
maxima que, se não fôr verdadeira em abso 
luto, tem muito de verdade: 
"Passou no Pará— 
[oarou ; 
Bebeu assahy — 
[ficou”. 
No terreno 
das industrias— 
que, de resto, 
não têm ainda o 
devido progres 
so no E s t a do, 
embora sejam 
ellas variadíssi 
mas — o P a rá 
apresenta duas 
fabricas dignas 
de nota, que são 
servidas pela 
estrada de ferro 
de Belém a Bra 
gança. Uma del 
ias, para refina 
ção de assucar, 
é a fabrica de 
«Eremita», e a 
beneficiamento de cereaes — é a 
Estado do Pará é escoadouro 
1 
J 
outra — para 
«Chanaan». O 
de productos de Goyaz, das regiões septentrio 
nal e central, que demandam ao Atlântico 
pelos rios Araguaya e Tocantins.
	        
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