SELECTA Magno e dos Doze Pares de França. (Ainda é aquelle mesmo volume de cobertura vermelha que me deram no collegio.) E palavra que já andava esquecida do « mea Roldão », daquelle mesmo Rol ­ dão que eu oppunha aos guerreiros, cujas memo ­ rias tanto enthusiasmo davam a vocês ! Ah, o meu grande e consolador Roldão !... Não lhes parece a vocês que os homens esque ­ ceram o heroísmo antigo, o heroismo das Thermo- pylas e de Salamina, aquelle velho heroismo que os deuses do Olympo haviam communicado aos humanos pelos tempos omminosos do Paganismo, e que elles ainda guardavam no peito, quando existiu aquelle illuslre Gama Que para si de Eneas toma a fama ? Tolstoi, o meigo propheta das steppes russas sempre se mostrou insatisfeito com o progresso, que elle confessava não saber si teria mesmo o sentido de melhoria que lhe davam os modernos nossos contemporâneos. E’ que o meigo senhor de Tolstoi sabia que os humanos do seu tempo eram apenas a caricatura d’aquellos primitivos que crearam os deuses, as religiões, as artes e a philosophia de que S. Paulo foi o ultimo discípulo... Porque vocês devem concordar commigo, em como esta guerra do nosso tempo, guerra de preci ­ são scientifica, em que entra toda a sabedoria des ­ ta idade da electricidade, do telegrapho sem fio, do aeroplano e do submersível, é a mais ineffavel vergonha que a historia humana ha de guardar para o ridiculo de uma epocha, e na qual terão de se inspirar os infelizes que venham a existir pelos séculos adiante, e que ninguém poderá dizer 0 nC não esteja servindo de pasto á risota dos habitan ­ tes de Marte, dado, bem entendido, que exista tal gente, como quer o senhor Camillc Flammarion... Não lhes parece a vocês que esta guerra devera ser mais breve, mais fulminante, mais phantastica, menos tediosa e mais consoladora nos seus resul ­ tados, do que essa caricatura de guerra, inspirada nas velhas campanhas da conquista das Galhas e nas arremettidas dos piratas orientaes, sem o me ­ nor respeito que deveria haver por todo esse pro ­ gresso mechanico de que se ufanam os homens práticos, e do que essa miseria que se annuncia para breve e para todos, tão em contraste com a fartura e as riquezas que os antigos vencedores levavam dos campos de batalha para os seus ir ­ mãos de patria, ou melhor para as suas irmas, esposas e mães, pois que naquelle tempo todos os homens iam á guerra ?... Eu, por mim, confesso a vocês, minhas queridas, que cada vez lamento mais não ter existido mais cedo, no passado, pela idade do polytheismo e dos heroes das Thermopylas, quando a Força ainda era uma cousa divina e não mechanica... Beijos da J à fi / k(fnÁA^ o rn: Clilis D C Jõi© 0 Htteratura sobre as cartas de jogo forma 51 uma verdadeira bibliotheca; do volume raríssimo escripto por Jean Gosselin em 1582 com o titulo La significai ion de Vanden jen de caries pyihagorique até os artigos de Giuseppe Fumagalli, existe urna serie de estudos curiosos e de pesquizas philosophicas e psychologicas. No principio as cartas eram uma especula ­ ção philosophica, um jogo metaphysico, e durante seculos, o vulgo profano que não era iniciado nos seus mysterios, não lhe co ­ nhecia a linguagem symbolica, o que não impediu de se servirem d’elle para distracção, ao contrario do que faziam os philosophos que exprimiam pelo meio das cartas as suas allegorias psychicas. E aos philosophos da antiguidade succederam os apostólos do mys- ticismo, do idealismo, do occultismo, que se serviram das cartas para propaganda das suas ideias. A origem do jogo na forma mais antiga — as cartas pintadas (tarot) vem provavel ­ mente do Oriente. As cartas apresentavam um notável inte ­ resse no ponto de vista artístico, e mostram a grande variedade a que chegaram estas «paginas do mais antigo e do mais, universal de todos os livros». Para encontrar essa verdade, devemos en ­ tretanto recorrer ao passado, já que hoje as cartas de jogo são de uma uniformidade e de uma banalidade desoladoras, e apezar do estado florescente da arte decorativa moder ­ na, ellas ainda esperam o seu William Mor ­ ris. Não era assim no século XV quando o miniaturista Jacquemin Gringoneur pintava para o rei demente Carlos VI de França o magnifico jogo que se conserva na Bibliotheca Nacional de Pariz, ou quando Martegna de ­ senhava aquelle jogo de iarois que é um dos primores do genero, e do qual a mesma Bibliotheca possue um bellissimo exemplar comprado por 2000 francos no leilão Pal- liere em 1820. Tambem em Pariz na Biblio ­ theca Nacional encontram-se as curiosas car ­ tas redondas, onde estão pintados coelhos, papagaios e outros animaes. A esse respeito convem observar que com o andar do tempo, não só as figuras do jogo soffreram curiosas transformações, mas tam ­ bem as próprias quatro cores foram modifi ­ cada e aos clássicos paus, ouros, espadas e copas, substituiram-se objectos de toda a es ­ pecie, sobretudo animaes: leões, macacos, pavões, chimeras, etc. Mais bella e mais interessantes que as cartas francezas — reconhece-o tmabem Deber< são as cartas italianas. As do Renascimen ^ são na verdade esplendidas, muito graní e. pintadas com urna delicadeza extráordman Os mais magnificos exemplares são repre sentados pelos iarois chamados dos Vis e de outros que se acham no museu de Veneza. Segundo a opinião de alguns, o iarot vC dos antigos Egypcios : e o tarot e f0^ oS foi reproduzido por Falconier das figuras ^ monumentos conservados no museu de lak, perto do Cairo, num elegante tomosin ^ espléndidamente Alustrado. Mas os EgyP c1 ^ tomaram provavelmente o jogo dos P 0 ' orientaes. No extremo Oriente usavam ca ^ compridas e estreitas com figuras origi < Mas as differenças não são só entre em Euro e o Oriente, e sim na Europa de paiz a p al ^ mesmo nos proprios paizes variam mUlt0 r | aS fallamos sempre do passz cartas, de provincia em versos, pois as fabricas tii _ QS e cada provincia tinha, pode-se dizer, seus desenhistas: ^ <a s A importancia e a significação das ca ^ mudaram quando a invenção da unp tornou popular o antigo jogo. ido — os ryP'" ~ provincia, eram 1 nhnm-se multiplicó